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Nascida em Concepción, no Paraguai, viveu no Brasil desde 1977 e dedicou sua trajetória acadêmica, política e humana aos povos guarani e kaiowá, mantendo sempre uma postura ética firme de apoio, escuta e posicionamento ao lado desses povos diante das violências históricas e contemporâneas que enfrentam.
Com formação em Música, Teologia, História e Linguagem, e pós-doutorado na Universidade de Münster, foi professora em diversas instituições e, desde 2005, atuava como professora de História Indígena na Universidade Federal da Grande Dourados. Sua produção articula história, língua, religião e música, com forte crítica ao colonialismo cristão e diálogo com a teologia feminista e intercultural.
Entre suas obras fundamentais estão Kurusu Ñe'ẽngatu ou Palavras que a História Não Poderia Esquecer e A Espiritualidade Guarani: uma teologia guarani, livros que marcaram gerações de pesquisadores, educadores e lideranças indígenas.
Outro legado central é o Dicionário Kaiowá-Português, construído ao longo de mais de duas décadas em colaboração entre pesquisadores indígenas e não indígenas. A obra reúne mais de 6.000 verbetes com notas culturais e linguísticas e constitui um importante repositório da língua, da memória e da visão de mundo do povo Kaiowá, voltado especialmente ao uso educativo e à transmissão de saberes entre gerações.
Graciela Chamorro deixa um legado profundo de rigor intelectual, coragem política e compromisso afetivo com os povos indígenas. Sua ausência é irreparável, mas sua obra segue viva nas lutas, nas escolas e nas vozes guarani e kaiowá que ela ajudou a fortalecer.
Nossa solidariedade aos familiares, amigas, amigos, colegas e aos povos com quem caminhou.