terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Moitará lamenta perda da pesquisadora Graciela Chamorro


Etnomusicóloga e historiadora, Chamarro dedicou sua trajetória acadêmica, política e  humana aos povos guarani e kaiowá. 


O Grupo de Pesquisa em Direitos Étinicos, da Faculdade de Direito, da Universidade de Brasília (Moitará UnB) lamenta profundamente o falecimento da Graciela Chamorro, etnomusicóloga, historiadora e referência incontornável nos estudos guarani e kaiowá, após cerca de 20 anos de luta contra um câncer.

Nascida em Concepción, no Paraguai, viveu no Brasil desde 1977 e dedicou sua trajetória acadêmica, política e humana aos povos guarani e kaiowá, mantendo sempre uma postura ética firme de apoio, escuta e posicionamento ao lado desses povos diante das violências históricas e contemporâneas que enfrentam.

Com formação em Música, Teologia, História e Linguagem, e pós-doutorado na Universidade de Münster, foi professora em diversas instituições e, desde 2005, atuava como professora de História Indígena na Universidade Federal da Grande Dourados. Sua produção articula história, língua, religião e música, com forte crítica ao colonialismo cristão e diálogo com a teologia feminista e intercultural.

Entre suas obras fundamentais estão Kurusu Ñe'ẽngatu ou Palavras que a História Não Poderia Esquecer e A Espiritualidade Guarani: uma teologia guarani, livros que marcaram gerações de pesquisadores, educadores e lideranças indígenas.

Outro legado central é o Dicionário Kaiowá-Português, construído ao longo de mais de duas décadas em colaboração entre pesquisadores indígenas e não indígenas. A obra reúne mais de 6.000 verbetes com notas culturais e linguísticas e constitui um importante repositório da língua, da memória e da visão de mundo do povo Kaiowá, voltado especialmente ao uso educativo e à transmissão de saberes entre gerações.

Graciela Chamorro deixa um legado profundo de rigor intelectual, coragem política e compromisso afetivo com os povos indígenas. Sua ausência é irreparável, mas sua obra segue viva nas lutas, nas escolas e nas vozes guarani e kaiowá que ela ajudou a fortalecer.

Nossa solidariedade aos familiares, amigas, amigos, colegas e aos povos com quem caminhou.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Convocatória aberta para o Programa de Bolsas para Povos Indígenas 2026 da ONU

Iniciativa das Nações Unidas oferece formação internacional em Genebra e fortalece a atuação de lideranças indígenas nos mecanismos globais de direitos humanos

Foto: Divulgação




Estão abertas, até 15 de outubro de 2025, as inscrições para o Programa de Bolsas para Povos Indígenas 2026, promovido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH/ONU).

A iniciativa busca fortalecer a presença e o protagonismo indígena nos espaços e mecanismos internacionais voltados à promoção e à proteção dos direitos humanos, por meio de uma formação intensiva em Genebra, Suíça.

A edição de 2026 ocorrerá entre junho e julho, reunindo lideranças indígenas de diferentes regiões do mundo. Durante o programa, as pessoas selecionadas terão a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento do sistema das Nações Unidas, participar de oficinas práticas e aprofundar estratégias de incidência política, diplomática e comunitária em defesa dos direitos coletivos dos povos indígenas.

A bolsa cobre passagens aéreas, hospedagem e diárias, e o curso será oferecido em inglês, espanhol e francês. As atividades são destinadas a pessoas indígenas com atuação comprovada em suas comunidades, organizações ou movimentos de defesa dos direitos humanos.


Quem pode participar

Podem se candidatar pessoas que atendam aos critérios abaixo, conforme o edital oficial da ONU:
1. Ser indígena – candidaturas de pessoas não indígenas não serão consideradas.
2. Ser apoiado(a) e indicado(a) por sua comunidade ou organização indígena, preferencialmente com representatividade e base consistente.
3. Ter bom domínio da língua em que o programa será ministrado (inglês, espanhol ou francês).
4. Comprometer-se a compartilhar os conhecimentos adquiridos e a treinar outras pessoas indígenas ao retornar à comunidade ou organização.
5. Não há limite de idade – candidaturas de todas as faixas etárias são elegíveis.
6. Não é exigido diploma formal – a ausência de formação acadêmica não impede a participação.
7. São especialmente encorajadas candidaturas de mulheres indígenas, pessoas LGBTQI+ e pessoas com deficiência.


📅 Período: junho a julho de 2026
📍 Local: Genebra, Suíça
🗓️ Inscrições até: 15 de outubro de 2025



Sobre o programa

Criado em 1997, o Programa de Bolsas para Povos Indígenas é uma das principais iniciativas do ACNUDH para fortalecer a voz indígena no cenário internacional.

Ao longo dos anos, centenas de lideranças indígenas já participaram da formação e hoje atuam como representantes, articuladores e defensores dos direitos humanos de seus povos.

O programa é reconhecido por promover a troca de saberes, o diálogo intercultural e o fortalecimento de redes globais de defesa dos direitos coletivos — ampliando a presença indígena em fóruns decisivos da ONU e em espaços internacionais de direitos humanos.

sábado, 10 de maio de 2025

ARTIGO

A Luta pela memória e verdade: 
indígenas durante a ditadura civil-militar brasileira


Autora: Samara
 Alves de Oliveira
         

            A Ditadura Civil-Militar (1964-1985) é uma herança traumática da história do Brasil que moldou parte significativa da vida dos brasileiros. Existe um antes e um depois de tudo o que a Ditadura nos tirou. As noções de crueldade durante esse período foram desafiadas, e os direitos humanos violados. Por isso se faz urgente e necessário abordar questões sensíveis como essa, por justiça e reparação. Reparação, que é saber escutar e não enterrar a memória; a preservação da memória constitui um dos aspectos fundamentais para a compreensão e continuidade da experiência humana. Leia a íntegra do artigo